Sociedade Musical da Quinta do Anjo celebrou 104 anos com emoção, música e renovação da tradição
Coletividade centenária encheu o salão nobre para celebrar mais de um século de história com presença de autarcas, homenagens e novos músicos em palco.

A Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo viveu esta terça-feira, 24 de junho, uma noite de celebração memorável ao assinalar os seus 104 anos de vida ativa e compromisso com a cultura local. O Salão Nobre da instituição encheu-se para receber músicos, dirigentes, autarcas e população, num evento que reafirmou o papel central da, SIM, como pilar cultural da freguesia e do concelho de Palmela.
Com atuações do coro e da banda filarmónica, o ambiente ficou marcado pela emoção e pela força do simbolismo. A noite foi também uma homenagem aos que ao longo de gerações mantiveram viva a missão da coletividade, e uma saudação à continuidade, com novos músicos a integrar a formação artística da casa.
A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Amaro, que destacou a SIM como “um verdadeiro laboratório de cidadania e força coletiva”, sublinhando o seu contributo histórico para a construção de uma identidade comunitária sólida. Ao lado do autarca estiveram também o vice-presidente Luís Calha, a vereadora da Cultura Maria João Camolas, o presidente da Assembleia Municipal José Carlos Sousa, bem como os representantes da Junta e Assembleia de Freguesia da Quinta do Anjo.
“Esta coletividade é mais do que música. É formação, é pertença, é cultura, é futuro”, frisou um dos oradores em representação da, SIM, perante uma audiência visivelmente tocada. A história da instituição foi recordada com destaque para os momentos marcantes, as dificuldades superadas e os rostos que deixaram legado.
Foram lembradas duas figuras marcantes recentemente desaparecidas — entre elas, o ex-dirigente Fernando Luís, a quem foi prestada uma homenagem pública de agradecimento. A cerimónia integrou também o ingresso oficial de três jovens músicos na banda: Andreia Silva (saxofone), Marquinhos Esteves (trombone) e Vasco Esteves (tuba), representando a renovação geracional.
A direção prestou igualmente tributo a dois músicos veteranos — Joel Bravo e Tiago Mata — pelos seus 30 anos de dedicação à banda filarmónica. “Três décadas ao serviço da música, da comunidade e da amizade”, realçou um dirigente, recebendo aplausos sentidos da sala cheia.
No discurso final, Álvaro Amaro foi claro no compromisso com o movimento associativo: “As autarquias têm o dever de apoiar quem, como esta casa, ergue todos os dias os pilares da cultura, da inclusão e da memória.”
Definindo a, SIM, como “o coração da aldeia”, o presidente da Câmara relembrou que a coletividade nasceu antes da própria freguesia e que continua a ser motor de iniciativas como o MÉEE e a Festa de Todos os Santos, fundamentais para a coesão do território.
O momento mais pessoal da noite surgiu com o testemunho emocionado de um antigo dirigente: “O meu avô foi fundador, o meu pai foi músico, e eu, sem dom musical, tornei-me dirigente. Esta casa é o farol da nossa cultura.”
A comemoração dos 104 anos da Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo confirmou o que sabiam muitos já: a força do associativismo, quando enraizada na comunidade, não só resiste ao tempo como se renova com ele.






