Setúbal celebra: Camolas Garrafeira arrecada ouro no concurso de vinhos
Edição especial de 25 anos da Camolas Garrafeira ganha destaque internacional.

Há vinhos que contam histórias. Há outros que as escrevem. O Camolas Garrafeira Edição Comemorativa 25 Anos faz as duas coisas ao mesmo tempo.
Este tinto de Palmela, elaborado a partir de uvas Castelão provenientes de uma vinha com mais de noventa anos — plantada precisamente em 1931, no terreno onde a própria adega nasceu — foi o último vinho produzido naquela que é hoje a adega antiga da empresa. Um símbolo de encerramento de um ciclo, que se tornou, paradoxalmente, na abertura de um novo capítulo de glória para a Adega Camolas.
A distinção chegou a 12 de julho, em Lisboa, durante a cerimónia de entrega de prémios da 6.ª edição do Concurso de Vinhos Escanções de Portugal, organizado pela Associação dos Escanções de Portugal e reconhecido pelo Instituto da Vinha e do Vinho. A competição reuniu mais de 50 jurados especializados — escanções, enólogos e profissionais do sector vindos de todo o país — e avaliou centenas de referências nacionais com rigor técnico elevado.
A Tambuladeira de Ouro — o galardão supremo desta prova — colocou o nome da Adega Camolas ao lado das mais reputadas casas vinícolas do distrito, numa noite em que Setúbal brilhou de forma incontestável.
Uma garrafa, uma história, um território
Não foi por acaso que esta edição comemorativa conquistou o júri. A filosofia por detrás do vinho é ela própria uma declaração de princípios: uma edição de apenas 1333 garrafas numeradas, com embalagem individual e conceito gráfico moderno — que representa visualmente as garrafas deitadas em estágio — sobre um fundo que evoca a memória e a tradição da vinha velha.
O vinho é um monocasta Castelão, com cor rubi violeta de grande vivacidade, aromas de frutos vermelhos maduros e especiarias, e uma boca de perfil frutado, com notas de bolota e tosta, terminando num final longo e persistente. Um perfil que, nas palavras dos produtores, pretende traduzir a alma da terra de Palmela — a mesma que há 25 anos alimenta a ambição da família.
Distrito de Setúbal na montra nacional
A vitória da Adega Camolas não foi a única razão para celebrar no distrito. Nessa mesma noite, outras adegas da Península de Setúbal regressaram a casa carregadas de distinções. A Adega de Pegões, a Casa Ermelinda Freitas, a Bacalhôa e a Herdade Canal Caveira foram igualmente premiadas com Tambuladeiras de Ouro, Medalhas de Ouro e Selos de Qualidade — numa demonstração coletiva de que o território está longe de dar o seu melhor como passado.
No total, o concurso atribuiu seis Grandes Tambuladeiras de Ouro, 81 Medalhas de Ouro e 109 Selos de Qualidade a vinhos avaliados com 90 ou mais pontos. Esta edição foi ainda a primeira a criar painéis específicos para espumantes, vinhos licorosos e aguardentes, reforçando o rigor técnico da avaliação.
Uma adega que não para
A Adega Camolas — empresa familiar hoje na sua segunda geração, de nome comercial Camolas & Matos, Lda — não chegou ao topo por acidente. Nos últimos anos, a casa investiu fortemente na modernização das suas instalações, inaugurando em 2022 um novo centro de vinificação e logística, dotado de uma equipa de enologia jovem e determinada a não se contentar com o que já foi feito.
A coleção atual da adega reflecte essa ambição: do Reserva Branco ao Moscatel Roxo envelhecido em barrica, passando pelos espumantes e pelo premiado Selection Premium Tinto, os Camolas acumulam reconhecimentos nacionais e consolidam a sua presença nos mercados.
O ouro conquistado com a Garrafeira dos 25 anos não é apenas o prémio de uma garrafa. É a confirmação de que Palmela continua a ser um território onde as vinhas velhas e os enólogos apaixonados ainda conseguem produzir vinhos que surpreendem e emocionam.





