Setúbal

Setúbal avança para a reutilização de milhões de metros cúbicos de água

Estudo revela potencial de reutilização de água em Setúbal e propõe soluções inovadoras.

A Península de Setúbal tem potencial para reutilizar cerca de 60 milhões de metros cúbicos de água anualmente, combinando efluentes urbanos e industriais. Esta conclusão surge do estudo “Península de Setúbal – Resiliência Hídrica”, promovido pela Águas de Portugal, apresentado a 1 de outubro no Cinema Charlot – Auditório Municipal, em Setúbal.

O estudo destaca três prioridades principais para o território: aumentar a eficiência no uso da água, diversificar as fontes disponíveis e reforçar o conhecimento e monitorização dos recursos hídricos. A análise abrange não apenas a Península de Setúbal, mas também territórios adjacentes, incluindo o Norte do Alentejo Litoral e a margem norte do Tejo.

Reutilização de água ganha destaque

Uma das soluções propostas é a reutilização de água para atividades agrícolas, industriais e outros usos que não requerem água potável. No sistema de águas residuais urbanas centralizadas, estima-se que o potencial de reutilização alcance 37 milhões de metros cúbicos por ano até 2026. No entanto, os projetos e manifestações de interesse atuais representam cerca de 6 milhões de metros cúbicos, indicando uma grande margem para expandir este recurso.

Entre as sugestões do estudo estão reforçar incentivos, criar modelos tarifários adequados e estabelecer uma rede pública de água não potável.

Menos dependência das águas subterrâneas

O documento também recomenda reduzir a dependência das águas subterrâneas, cruciais para o abastecimento público e económico da região. Propõe-se um novo estudo do sistema aquífero da Bacia do Tejo-Sado/Margem Esquerda para atualizar o conhecimento e melhorar a monitorização.

Outra possibilidade é desenvolver um sistema intermunicipal de abastecimento de água, incluindo a possível interligação entre as margens norte e sul do Tejo. Estas opções ainda requerem avaliação técnica, económica e ambiental antes de qualquer decisão de investimento.

A proposta é criar um sistema flexível e diversificado, capaz de utilizar diferentes fontes de água para atender tanto às necessidades regulares quanto a situações de emergência.

A Península de Setúbal é vista como um território-piloto para novas soluções de gestão de água. Entre as medidas sugeridas estão a criação de um polo de conhecimento e participação comunitária e a elaboração de um Plano Específico de Gestão da Água para a região.

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