Setúbal

Saúde materna em risco: deputados do PS exigem respostas para a Península de Setúbal

Reuniões com as administrações hospitalares expõem fragilidade dos serviços de obstetrícia e falta de médicos no distrito. Deputados socialistas pressionam Ministério da Saúde.

A saúde materna na Península de Setúbal está sob forte pressão. A constatação é dos deputados do Partido Socialista eleitos pelo círculo de Setúbal, que ao longo da última semana se reuniram com as direções das Unidades Locais de Saúde de Almada/Seixal, Arco Ribeirinho Sul e Arrábida. O diagnóstico é preocupante: as maternidades dos principais hospitais da região funcionam em sistema rotativo, ficando apenas uma aberta de cada vez para todo o distrito.

O regime, imposto pela falta de médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia, é motivo de inquietação para a população, sobretudo para as mulheres grávidas, que ficam sem saber a que unidade recorrer em situações de urgência. O Ministério da Saúde não divulga o calendário da rotatividade, agravando o clima de insegurança. Segundo a deputada Eurídice Pereira, nenhum dos hospitais tem recursos humanos suficientes para garantir o funcionamento pleno quando chamado a servir toda a região, destacando-se o caso do Hospital de Setúbal, que apenas consegue assegurar as necessidades dos concelhos sob a sua responsabilidade e parte do litoral alentejano.

Além da questão das urgências, a dificuldade de fixação de médicos e o envelhecimento da classe médica são desafios reconhecidos pelas administrações hospitalares. Os deputados do PS consideram essencial que o Governo crie políticas que incentivem a atração e permanência de profissionais, de modo a evitar o agravamento da situação. “É fundamental esclarecer rapidamente qual será o modelo de funcionamento das urgências regionais a partir de setembro, sobretudo no Hospital Garcia de Orta, anunciado como a unidade de referência”, reforçou a deputada.

Durante as reuniões, foi igualmente abordada a falta de médicos de família, tema que assume particular relevância em zonas como a Quinta do Conde, onde a instalação de uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF) vai avançar, apesar das limitações impostas pelo Governo. Os socialistas já enviaram um requerimento ao Ministério da Saúde para obter esclarecimentos sobre este processo e aguardam resposta.

Os deputados reclamam também mais meios de socorro pré-hospitalares para o distrito, tendo solicitado acesso ao relatório elaborado sobre esta matéria. A falta de informação, soluções e transparência é uma crítica central apontada ao Ministério da Saúde, que tarda em dar respostas a problemas que colocam em causa a assistência à população.

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