
A comissão política nacional do PSD anunciou esta terça-feira o apoio à candidatura independente de Maria das Dores Meira à presidência da Câmara Municipal de Setúbal, uma decisão que abre uma clara fratura entre a direção do partido e a sua estrutura local.
O nome de Maria das Dores Meira é bem conhecido no município sadino. Foi autarca da CDU durante três mandatos consecutivos e assumiu a presidência em 2006, após a saída de Carlos de Sousa, mantendo-se até 2021. Após atingir o limite legal de mandatos, concorreu a Almada em 2021, sem sucesso. Em 2024, rompeu com o PCP, partido onde militava há 40 anos, e anunciou a sua candidatura a Setúbal como independente.
Apesar da condenação expressa da concelhia de Setúbal, que em junho classificou o apoio nacional como “profundamente desrespeitoso”, a direção social-democrata optou por incluir o nome de Meira numa lista de candidaturas independentes com o apoio do PSD, como acontece também com Isaltino Morais em Oeiras e Luís Filipe Menezes em Vila Nova de Gaia.
A distrital sadina considera esta decisão uma “flagrante violação dos estatutos” e já tinha garantido publicamente que não apoiaria nem faria parte de qualquer lista liderada por Maria das Dores Meira.
Esta divergência revela uma cisão interna no seio do PSD em Setúbal, e poderá ter impacto significativo na mobilização do eleitorado e no equilíbrio de forças locais, especialmente num concelho com histórico domínio da CDU.
A campanha eleitoral em Setúbal promete ser marcada por esta tensão entre estruturas, com uma candidatura independente apoiada pelo PSD nacional, mas rejeitada pela base local do partido.






