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Pinhal Novo rendeu 35 mil pessoas: o Mercado Caramelo que desafia a chuva e conquista o país

A 11.ª edição do Mercado Caramelo fechou portas com mais de 35 mil visitantes e uma certeza: Pinhal Novo é, três dias por ano, a capital da tradição do distrito de Setúbal. Chuva, vento e nada mais — a festa foi maior do que o céu permitia.

Quando a chuva teimou em aparecer no fim de semana de 8 a 10 de maio, ninguém foi para casa. O Mercado Caramelo é assim — maior do que o tempo que faz, mais forte do que qualquer inconveniente. No final dos três dias, o recinto do Largo José Maria dos Santos estava cheio. Sempre cheio. E foi assim durante o fim de semana inteiro.

Mais de 35 mil pessoas atravessaram Pinhal Novo naquele que é um dos eventos mais genuínos e concorridos do distrito de Setúbal. A 11.ª edição do Mercado Caramelo confirmou o que já ninguém questiona: este certame deixou há muito de ser apenas uma festa local para se tornar uma referência cultural com dimensão nacional.

Cristina Pereira, da Confraria da Sopa Caramela, uma das entidades organizadoras, não escondeu a satisfação — nem o bom humor. Com a chuva ainda fresca na memória, lamentou, em jeito de brincadeira, não ter «pago a tempo as licenças ao São Pedro». Mas logo a seguir sublinhou o que realmente importa: «O recinto esteve sempre cheio, e isso é gratificante.»

Uma identidade que vale mais do que qualquer número

Na abertura da festa pinhalnovense, a presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, foi direta. Para a autarca, o Mercado Caramelo não é apenas um evento — é uma expressão da alma de um concelho. «Faz parte daquele conjunto de momentos que ao longo do ano demonstram a identidade do nosso concelho e as características mais particulares de cada uma das suas freguesias», afirmou.

Para Ana Teresa Vicente, a vila de Pinhal Novo tem «o que há de mais genuíno» e prova, edição após edição, que tem «a capacidade de acolher novas pessoas». Mas a autarca foi ainda mais longe ao homenagear o movimento associativo — esses que, nas suas palavras, «têm casas abertas todos os dias e em todas as festas do nosso concelho estão presentes com as suas tradições, o seu trabalho e o seu empenho».

A presidente da câmara deixou ainda uma frase que merece ficar registada: «O concelho de Palmela não seria tão rico, mesmo podendo ter tantas empresas importantes como tem, se não tivesse esta riqueza humana.»

Câmara investe quase 20 mil euros na iniciativa

O apoio do município não é apenas simbólico. A Câmara Municipal de Palmela injetou nesta edição 7.500 euros em apoio financeiro direto e mais 12 mil euros em apoio logístico — um investimento total que ronda os 19.500 euros e que a autarquia justifica com o «impacto gerado diretamente pelo mercado na atividade económica e turística» da região, bem como pelo «trabalho de recuperação de receituário antigo» que o certame tem promovido ao longo dos anos.

A câmara é parceira da Junta de Freguesia de Pinhal Novo e da Confraria da Sopa Caramela na organização do evento e quer, nas palavras de Ana Teresa Vicente, «continuar a levar por diante este extraordinário Mercado Caramelo».

2027 já está na agenda

Cristina Pereira não deixou dúvidas sobre o futuro. Em 2027, o Mercado Caramelo «continuará a crescer mais, e em todos os sentidos, porque vamos continuar a fazer melhor». As parcerias com a Câmara Municipal de Palmela e com a Junta de Freguesia de Pinhal Novo mantêm-se, e a ambição também.

O Mercado Caramelo é a recriação do mercado à moda antiga do início do século XX na aldeia de Pinhal Novo — um conceito que, décadas depois, continua a encher de vida o Largo José Maria dos Santos, o mesmo sítio onde, em 1875, nasceu o histórico mercado do gado da vila.

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