Palmela junta-se a apelo regional contra concentração das urgências em Almada
Vice-presidente de Palmela e autarcas vizinhos pedem resposta clara da ministra da Saúde sobre o futuro dos serviços de ginecologia e obstetrícia.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Palmela, Luís Miguel Calha, participou esta semana numa reunião decisiva no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, onde, com os presidentes de Setúbal e Sesimbra, manifestou grande preocupação quanto à reorganização das urgências obstétricas na Península.
A reunião decorreu com a administração da Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULSA) e serviu para auscultar o diagnóstico interno da instituição face aos encerramentos rotativos das urgências de obstetrícia que se verificam nos hospitais de Setúbal, Almada e Barreiro. Em resposta à informação recolhida, os três autarcas vão solicitar uma reunião urgente com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
“O que está em causa não é apenas o acesso às urgências, mas a capacidade de resposta dos hospitais num serviço fundamental para milhares de mulheres da região”, salientou Luís Miguel Calha, considerando essencial que Palmela não fique marginalizada com a concentração anunciada no Hospital Garcia de Orta, em Almada.
André Martins, de Setúbal, alertou para as consequências práticas desta medida, afirmando que “os profissionais estão no limite e a especialidade enfrenta sérias limitações”. Também Francisco Jesus, de Sesimbra, alertou que grande parte dos médicos de obstetrícia já não está obrigada a prestar urgência por limite de idade, colaborando apenas por compromisso com os doentes.
Atualmente, as urgências funcionam em sistema rotativo, repartindo-se por dias entre os três hospitais. Segundo os autarcas, esta solução provisória não é sustentável e compromete a segurança e previsibilidade para os utentes.
A ULSA reconheceu que as equipas são reduzidas e que é urgente fixar profissionais no SNS, nomeadamente com incentivos para vagas em zonas carenciadas. Francisco Jesus defendeu que, mesmo que não seja possível manter os três serviços abertos, pelo menos duas urgências devem operar em simultâneo, abrangendo o território da Arrábida e também o Litoral Alentejano, hoje igualmente dependente destas unidades.
Palmela, que integra a área de influência do Hospital de São Bernardo, está particularmente preocupada com a eventual perda de resposta especializada para a sua população feminina, razão pela qual acompanha com atenção e exigência o processo em curso.






