Palmela coloca o centro histórico no centro do debate
Dois dias, dois temas quentes e especialistas de topo à mesa: a Câmara Municipal de Palmela organiza, a 25 e 26 de junho, as Jornadas da Reabilitação Urbana, na Biblioteca Municipal, para debater o futuro dos centros históricos — entre preservar o passado e preparar o presente. A entrada é gratuita, mas as vagas não são ilimitadas.

Há edifícios que resistem ao tempo. E há debates que já não podem esperar. Palmela prepara-se para receber, nos dias 25 e 26 de junho, aquela que promete ser uma das mais relevantes iniciativas do ano no distrito de Setúbal no domínio da reabilitação urbana — as Jornadas da Reabilitação Urbana, organizadas pela Câmara Municipal e com programa a dois tempos, cada um com identidade própria e especialistas de referência nacional.
O primeiro dia, dedicado ao tema «A Reabilitação no Centro Histórico: entre a identidade e a prática», abre com a intervenção da presidente da autarquia, Ana Teresa Vicente, e coloca imediatamente em cima da mesa uma das tensões mais antigas do urbanismo português: como se intervém num edifício histórico sem o trair? A arquiteta e investigadora Alice Tavares, do CICECO da Universidade de Aveiro e presidente da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património, apresenta uma das comunicações da manhã, focada na compatibilização de técnicas tradicionais com as exigências atuais da construção.
A simplificação do licenciamento nas Zonas Especiais de Proteção também entra na agenda — tema que divide especialistas e proprietários — com a intervenção de Dinamene Santos, advogada do Município de Palmela, que analisa o que verdadeiramente muda na prática. A manhã termina com uma mesa-redonda que reúne vozes de Palmela, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, do Centro Histórico de Santarém e da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico, numa conversa que promete mais perguntas do que respostas fáceis.
À tarde, o auditório transforma-se em sala de estudo com um workshop conduzido pela Professora Fernanda Paula Oliveira, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, focado na articulação entre regimes urbanísticos e patrimoniais — um exercício prático sobre os erros mais comuns e como os evitar.
O segundo dia muda de ângulo, mas mantém o rigor. O tema da eficiência energética em edifícios antigos é hoje um dos mais complexos da reabilitação: como melhorar o desempenho térmico de uma casa com três séculos sem destruir o que a torna única? Vasco Peixoto de Freitas, professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e diretor do Laboratório de Física e Tecnologia das Construções, abre as comunicações. Segue-se Marlene Roque, arquiteta e especialista em eficiência energética e arquitetura bioclimática, com uma análise sobre quais as intervenções viáveis — e quais as que simplesmente não podem ser feitas sem comprometer o valor patrimonial do edifício.
A tarde reserva um workshop com investigadores da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, Nuno Dinis Cortiços e Carlos Chambel Duarte, centrado em decisões técnicas reais: isolamentos, caixilharias, soluções que têm de respeitar ao mesmo tempo a física do edifício e a lei do património. O encerramento do evento terá a presença de dirigentes municipais, sinalizando o comprometimento institucional da autarquia com a qualificação do edificado e do espaço público do concelho.
A participação é gratuita, mas exige inscrição prévia, uma vez que o número de lugares é limitado. As inscrições são feitas através do endereço de correio eletrónico grch@cm-palmela.pt. O evento realiza-se na Biblioteca Municipal de Palmela, em ambos os dias, com início às 9h00.
Estas jornadas integram-se no Programa de Dinamização da Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Palmela — um esforço continuado do município que já mobilizou, ao longo dos últimos anos, dezenas de proprietários, técnicos, investidores e profissionais do setor na procura de soluções concretas para a revitalização do edificado histórico do concelho.






