Setúbal

Oficina naval traz nova vida às margens do Sado

Projeto em Setúbal restaura embarcações tradicionais e preserva ofícios marítimos.

Uma antiga instalação da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) vai transformar-se numa oficina dedicada à recuperação de embarcações tradicionais em madeira, em parceria com a Associação Rio Azul. Este projeto, instalado na região de Setúbal, visa preservar técnicas ancestrais de construção naval e evitar o desaparecimento de barcos históricos do estuário do Sado.

A oficina ocupará um edifício de 237 metros quadrados, cedido pela APSS através de um contrato de arrendamento, onde a Associação Rio Azul – Associação da Cultura Marítima do Sado e da Arrábida planeia realizar trabalhos de carpintaria naval, calafetagem, pintura, e conservação de pequenas embarcações tradicionais, com um foco especial nos barcos utilizados na pesca.

O presidente da APSS, Vítor Caldeirinha, destacou a possibilidade de o espaço ter uma componente pedagógica, aproximando a juventude e as escolas das tradições marítimas locais. O presidente da Associação Rio Azul, Rui Canas, estima que a oficina estará operacional no final do outono, após a adaptação do espaço e a aquisição dos equipamentos necessários.

Esta iniciativa surge como uma resposta ao desaparecimento anual de diversas embarcações tradicionais, devido à falta de manutenção. A oficina, portanto, pretende disponibilizar serviços de recuperação e conservação, além de reintegrar profissionais experientes nos antigos ofícios marítimos.

Escola de Artes e Saberes Marítimos: um projeto futuro

No futuro, a oficina poderá integrar a Escola de Artes e Saberes Marítimos, uma estrutura da Rio Azul destinada a assegurar a transmissão de conhecimentos sobre carpintaria naval e outras atividades marítimas tradicionais. A escola visa preservar técnicas que estão em risco de desaparecer, assegurando a continuidade dessas práticas na região.

A preservação das embarcações tradicionais é vital numa área como Setúbal, onde barcos em madeira eram usados no transporte de sal, mercadorias e pescado. A nova oficina não só recupera embarcações, mas também resgata parte da rica memória cultural e marítima de Setúbal e do estuário do Sado.

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