
Se janeiro pede cultura para aquecer os dias frios, Setúbal responde com música, teatro e ópera em versão criativa. O Festival Luísa Todi está de volta e transforma a cidade num palco vivo entre 3 e 11 de janeiro, com um programa que cruza clássicos reinventados, novas criações e propostas pensadas para todas as idades.
O grande destaque surge no dia 11, no Fórum Luísa Todi, com a estreia de “Escola de Amantes — Così Fan Tutte”, uma versão em português da icónica ópera de Mozart. Adaptada por Diogo Oliveira, a obra mantém o jogo de enganos amorosos, trocas de identidade e ironia mordaz, agora apresentada como um curso intensivo sobre relações, concentrado em 90 minutos ágeis e acessíveis.
Em palco, um elenco de luxo com Sérgio Martins, João Merino, Mariana Chaves, Constança Melo, Elisa Bastos e Diogo Oliveira, acompanhados por um ensemble instrumental intimista. A direção musical e encenação são assinadas por Jorge Salgueiro, que assume também a identidade artística do festival. Cenografia, figurinos e adereços ficam a cargo de Maria Madalena.
O arranque acontece logo a 3 de janeiro, na Igreja do Convento de Jesus, com o Coro Setúbal Voz, dirigido por João Merino. O programa viaja entre épocas e estilos, da música sacra francesa a cantos tradicionais norte-americanos, passando por uma nova obra de Vítor Rua, escrita este ano e dedicada ao coro anfitrião.
A 9 de janeiro, a Glorieta Luísa Todi volta a ser ponto de encontro para a homenagem à grande cantora lírica setubalense do século XVIII. A tradicional colocação de flores no busto da artista ganha vida com um espetáculo performativo que recria simbolicamente o seu nascimento, juntando canto lírico e dança contemporânea.
O festival não esquece os públicos mais novos. “Os Xúbis”, uma ópera pensada para bebés, sobe ao terraço do Fórum Luísa Todi no dia 11. A história segue criaturas vindas de outro planeta que comunicam com os animais e lançam uma mensagem de empatia e diversidade. A criação inclui música tradicional portuguesa e acompanhamento especializado na área da psicologia infantil.
No mesmo dia, há ainda espaço para energia juvenil com “Carmen, o Musical”, uma versão ‘pop’ da ópera de Bizet, interpretada por jovens entre os 10 e os 20 anos. O espetáculo celebra os 150 anos da estreia de “Carmen”, provando que os clássicos continuam vivos quando reinventados.
Com um orçamento de 10 mil euros, o Festival Luísa Todi é organizado pela Associação Setúbal Voz, financiada pela Direção-Geral das Artes para o biénio 2025 2026, e conta com o Município de Setúbal como parceiro estratégico. Após ter reunido cerca de 3 mil espetadores na edição anterior, o festival prepara-se para crescer, com uma segunda parte já anunciada para o verão.






