Os estaleiros da Mitrena, em Setúbal, estão no centro de uma disputa internacional que pode mudar o futuro da indústria naval em Portugal. O Governo decidiu avançar com um concurso público internacional para a concessão das infraestruturas, previsto para 31 de julho de 2027, e a procura já ultrapassa fronteiras.
De um lado, estão grupos turcos ligados à metalomecânica pesada e à construção naval, interessados em conhecer os detalhes da concessão. Do outro, surge um investidor chinês especializado em energias renováveis, sinal de que os estaleiros podem também ganhar peso na transição energética.
As empresas portuguesas não querem ficar para trás. A Martifer, que enfrenta elevada procura nos estaleiros de Viana do Castelo, vê em Setúbal a oportunidade para reforçar a produção de navios fluviais e oceânicos. Já Mário Ferreira, empresário ligado ao turismo fluvial e à comunicação social, não esconde o entusiasmo pelas condições excecionais das docas profundas da Mitrena, que considera ideais para construir navios de grande porte, inclusive militares.
A atual concessionária, Lisnave, tenta também segurar terreno. Após o Governo recusar prolongar o contrato, apresentou uma proposta de 200 milhões de euros ao longo de uma década, destinada a modernizar infraestruturas e apostar na reciclagem naval e em estruturas para energias renováveis.
Para o Estado, o objetivo é claro: atrair até 3 mil milhões de euros em investimento privado, valor que representa três quartos das verbas previstas para reforçar as capacidades portuárias nacionais. Este passo poderá consolidar Setúbal como plataforma estratégica da economia azul, com impacto direto na criação de emprego e no desenvolvimento tecnológico.
O Ministério das Infraestruturas sublinha que o processo está alinhado com as metas nacionais de defesa e inovação, esperando que a Mitrena se torne uma referência internacional na construção naval sustentável.






