Militantes do PSD acusam direção local de abuso de poder e exigem escrutínio interno
Carta anónima denuncia práticas autoritárias, silenciamento e falta de democracia na concelhia do PSD em Palmela. Direção liderada por Roberto Cortegano rejeita acusações, mas confirma ausência de assembleias regulares.

A concelhia do PSD em Palmela está no centro de uma polémica interna que ameaça fragilizar a coesão do partido a poucos meses das eleições autárquicas. Uma carta anónima, redigida por militantes descontentes e enviada ao Diário do Distrito, levanta sérias acusações contra a atual direção, apontando para uma alegada concentração de poder, ausência de participação democrática e violação dos estatutos do partido. Em resposta, o presidente da Comissão Política de Secção, Roberto Cortegano, refuta todas as acusações, mas admite falhas pontuais no calendário estatutário.
Os autores da denúncia — que optaram pelo anonimato por receio de represálias internas — afirmam que o PSD Palmela está a ser gerido “de forma autoritária e sem escrutínio”, com decisões tomadas “por um grupo restrito” e sem qualquer auscultação aos militantes. O documento denuncia que não são realizadas Assembleias de Secção há largos meses, violando os próprios estatutos do partido, que impõem uma periodicidade trimestral.
A crítica mais dura prende-se com o processo de escolha dos candidatos autárquicos, que, segundo os militantes, “decorreu à revelia da base do partido”. Alegam que tomaram conhecimento dos nomes apresentados através da imprensa e que “nunca receberam convocatórias nem qualquer explicação interna”. Apontam ainda uma “instrumentalização dos militantes apenas para pagar quotas ou fazer número em jantares e eventos”.
Em resposta ao Diário do Distrito, Roberto Cortegano rejeita veementemente as acusações, sublinhando que “tudo tem sido feito de acordo com os estatutos” e que o processo de candidatura foi aprovado em sede própria, com votação unânime na Comissão Política e posterior submissão à Assembleia de Secção. Contudo, admite que, devido ao contexto eleitoral nacional, a assembleia prevista para o segundo trimestre ainda não se realizou, mas assegura que está agendada para 27 de junho.
Sobre as críticas à falta de auscultação da base, Cortegano afirma que o PSD Palmela tem promovido canais abertos de comunicação — e-mails, redes sociais, contactos diretos — e até iniciativas como questionários públicos para a elaboração do programa autárquico. “Nunca houve qualquer denúncia formal nem um único militante a manifestar-se contra”, assegura.
Relativamente à acusação de que o partido está controlado por “meia dúzia de pessoas”, o dirigente diz tratar-se de “afirmações infundadas, sem qualquer sustentação”. Reforça que a concelhia foi eleita democraticamente, com três mandatos sucessivos sem listas opositoras, e sempre com votações acima dos 80%. “Temos uma participação elevada e até reativámos a JSD Palmela em 2022. Este tipo de ataques anónimos visa apenas desestabilizar.”
Questionado sobre o alegado medo de retaliações, Cortegano descarta a hipótese. “Não deixo mensagens a anónimos nem acredito que exista um único militante do PSD Palmela que tenha razões para se sentir intimidado. Estes anónimos, para mim, nem são militantes”, atira.
Apesar da resposta oficial, o conteúdo da carta revela um crescente mal-estar de parte da estrutura local, exigindo maior transparência, escrutínio interno e fim do que classificam como gestão unilateral e opaca. O caso relança o debate sobre a saúde democrática dos partidos localmente, numa altura em que os cidadãos pedem mais abertura e participação nas decisões políticas.
O Diário do Distrito continuará a acompanhar este caso com o devido rigor e isenção, solicitando esclarecimentos adicionais sempre que necessário e garantindo espaço a todas as partes envolvidas.






