Mil assinaturas contra o caos diário nos comboios da Fertagus
Mais de mil utentes exigem uma resposta urgente para atrasos e supressões no serviço da Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal, e querem o tema debatido no Parlamento.
A contestação ao serviço ferroviário da Fertagus ganhou força em apenas uma semana. Uma petição pública já reuniu 1.130 assinaturas, num sinal claro do descontentamento crescente de quem depende diariamente da ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal para trabalhar, estudar ou tratar de assuntos pessoais.
Os subscritores denunciam atrasos frequentes, supressões de comboios, sobrelotação das carruagens e falhas graves na informação aos passageiros, apontando uma degradação contínua do serviço num eixo considerado essencial para a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa.
Segundo o texto da petição, os problemas são repetidos e sistemáticos, afetando milhares de pessoas e gerando impactos diretos na vida profissional, económica e familiar dos utentes. A situação, alertam, compromete o direito à mobilidade e a qualidade de vida de quem reside ou trabalha nos distritos de Lisboa e Setúbal.
Os promotores defendem que, apesar de se tratar de um serviço explorado em regime de concessão pública, não têm sido visíveis melhorias proporcionais nem uma fiscalização eficaz por parte do Estado. Uma crítica que ganha maior peso face à importância estratégica da linha ferroviária que atravessa a Ponte 25 de Abril.
Rui Rodrigues, um dos responsáveis pela iniciativa intitulada “Pela melhoria urgente do serviço da Fertagus e pelo fim dos atrasos e supressões constantes”, sublinha que os constrangimentos são diários e a situação se tem agravado. O facto de a petição ter ultrapassado as mil assinaturas em apenas sete dias é, segundo o próprio, um sinal inequívoco da urgência do problema, permitindo já a solicitação de uma audiência formal numa comissão parlamentar.
Ainda assim, os utentes ambicionam um debate em plenário da Assembleia da República, objetivo que poderá ser alcançado caso o documento chegue às 10 mil assinaturas.
Entre as exigências dirigidas ao Governo e ao Parlamento estão a fiscalização rigorosa do cumprimento do contrato de concessão, a divulgação pública dos dados reais sobre atrasos e supressões e o apuramento de responsabilidades pelas falhas recorrentes. Os peticionários defendem ainda a adoção de medidas concretas, eficazes e calendarizadas que garantam a fiabilidade, pontualidade e capacidade do serviço, não excluindo a aplicação de sanções ou mesmo a revisão do contrato caso os incumprimentos persistam.
A Fertagus detém a concessão do transporte ferroviário de passageiros no eixo norte-sul, com 14 estações, dez na margem sul do Tejo, entre Setúbal e o Pragal, e quatro na margem norte, em Lisboa. Um corredor vital para milhares de utentes que, diariamente, atravessam o rio para cumprir as suas rotinas.





