
A madeira outrora descartada ganhou nova vida pelas mãos de Carlos Lopes, reformado setubalense que há poucos anos descobriu nas esculturas religiosas uma forma íntima de oração. As peças, criadas com um toque artesanal depurado e intenso simbolismo cristão, estão agora reunidas numa exposição inédita na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal.
O evento inaugural contou com a presença do presidente da autarquia, André Martins, que elogiou a “importância destas iniciativas nos espaços públicos”, valorizando o papel da arte como reflexo da memória coletiva e das raízes populares. Para o edil, o recurso à madeira reciclada confere um “valor adicional” à obra de Carlos Lopes.
Com temas como o Presépio, o Calvário e a Última Ceia, as 64 peças em exibição resultam de um processo criativo que o artista iniciou nos seus tempos de reforma. Membro ativo da vida sindical e da Liga Operária Católica, Lopes descreve o seu trabalho como “um modo de rezar”, um gesto silencioso de espiritualidade longe dos palcos comerciais.
O padre Casimiro Henriques, especialista em arte sacra, sublinhou o caráter expressivo e contemplativo destas esculturas, que considerou “simples na forma, mas profundas no conteúdo”.
A mostra pode ser visitada até ao dia 27 de agosto, numa iniciativa que conjuga memória, fé e sustentabilidade no coração cultural da cidade.






