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Deputados de Setúbal alertam para javalis nas ruas e exigem respostas ao Ministério do Ambiente

Presença de javalis em zonas habitacionais e praias da Arrábida leva deputados do PS a questionar o Governo sobre o controlo da espécie.

A circulação de grupos de javalis em pleno centro urbano de Setúbal, como testemunhado recentemente na Avenida Luísa Todi, acendeu o alerta entre os representantes políticos da região. O assunto chegou agora ao Parlamento, com um requerimento dirigido ao Ministério do Ambiente e Energia, assinado pelos cinco deputados socialistas eleitos por Setúbal, que exigem explicações e medidas urgentes.

A situação, que também afeta localidades como Azeitão, “é cíclica, mas cada vez mais frequente e perigosa”, refere a deputada Eurídice Pereira. A socialista relembra que a população de javalis no Parque Natural da Arrábida tem vindo a crescer descontroladamente e que os primeiros alertas oficiais datam de 2016, quando o ICNF reconheceu que o número de animais ultrapassava os limites aceitáveis para aquela zona protegida.

Desde então, acumulam-se as queixas de agricultores, concessionários de praias como o Creiro e o Portinho da Arrábida, e moradores, que relatam prejuízos, danos em propriedades e receios de segurança. “Há registo de ataques, destruição de culturas e presença junto a habitações. A situação está fora de controlo”, afirma Eurídice Pereira.

Os deputados querem saber se o Ministério está a par da situação e quais os mecanismos de monitorização em curso. Referem ainda que o Plano Estratégico e de Ação do Javali, apresentado em 2023, previa controlo populacional, mitigação de prejuízos agroflorestais e avaliação sanitária da espécie. Dois anos depois, não há dados públicos sobre a aplicação dessas medidas.

A urgência em controlar a densidade da população de javalis é vista como prioridade para proteger pessoas, atividades económicas e o equilíbrio do ecossistema da Arrábida. O requerimento aponta várias questões críticas: existem dados atualizados do ICNF sobre o número de animais? Que medidas preventivas estão em curso? Há articulação com outras entidades, nomeadamente os Ministérios da Agricultura, Administração Interna e o Município de Setúbal?

“A situação não é nova, mas agrava-se. A tolerância tem limites, e as respostas já deviam estar no terreno”, conclui a deputada.

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