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Artes performativas invadem Setúbal com críticas sociais e tributos à diversidade

A MAPS 2025 arrancou com uma instalação sonora e visual sobre mobilidade urbana e continua com dezenas de eventos até 19 de julho.

A cidade de Setúbal é, desde sexta-feira, palco de uma intensa ocupação cultural com o regresso da MAPS — Mostra de Artes Performativas, promovida pela autarquia sadina, que aposta este ano no tema da diversidade para dar voz a histórias esquecidas, corpos silenciados e vivências que atravessam as margens.

O arranque foi feito com “Movimentos Pendulares”, uma obra dos artistas Ian Cancino e Cristiano Marcelino, que encheu a Casa Bocage de sons, imagens e metáforas sobre os ritmos ferroviários da Linha do Sado e a vivência dos trajetos urbanos. A peça, produzida pela FOmE, encerra um ciclo artístico de três instalações com o mesmo tema, desenvolvidas em anteriores edições da mostra.

Na apresentação, o vereador Pedro Pina afirmou que esta MAPS “vai elevar a liberdade, a diversidade e a coragem de lutar”, definindo a edição como um percurso artístico que percorre a cidade com “paragens inesperadas”.

Com entrada livre na maioria dos eventos, a MAPS 2025 traz à cidade um leque eclético de espetáculos distribuídos por espaços culturais, ruas e bairros históricos, fomentando a descentralização artística.

Este sábado à noite (21h30), a União Setubalense recebe “Na Boca do Tubarão”, peça do Teatro do Imigrante sobre exclusão e imigração. Mais cedo, às 18h00, o Museu de Setúbal / Convento de Jesus apresenta “Alcindo Monteiro”, instalação de Gabriel Chaile que presta homenagem ao jovem cabo-verdiano brutalmente assassinado por um grupo neonazi em 1995.

No domingo, às 10h30, o projeto PO.VOAR ocupa o Centro de Cidadania Ativa, seguido de uma caminhada performativa no Bairro do Troino. À noite, o Fórum Municipal Luísa Todi apresenta “Terminal (O Estado do Mundo)”, uma crítica teatral às alterações climáticas, com encenação de Miguel Fragata e música de Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves. Este é o único espetáculo pago do programa, com entradas a 12 euros.

O domingo conta ainda com uma programação para crianças no Parque do Bonfim, com jogos sustentáveis e espetáculos infantis, encerrando com “Terra Cobre”, às 21h30, no espaço A Gráfica, cruzando tradição e modernidade através da dança e da percussão.

Até dia 19 de julho, a MAPS promete transformar Setúbal num epicentro criativo, onde se discutem temas urgentes através da linguagem artística e se amplia o acesso à cultura.

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