Arrábida traça caminho para um futuro mais sustentável
Palmela, Sesimbra e Setúbal trabalham em conjunto na criação de planos para reduzir emissões e tornar o consumo energético mais eficiente.
Representantes de mais de 20 entidades locais reuniram-se recentemente em Palmela para dar mais um passo na construção de um território mais sustentável. O encontro, promovido pela ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, focou-se no desenvolvimento dos Planos Locais Sustentáveis de Aquecimento e Arrefecimento (PLSAA), uma ferramenta estratégica para reduzir as emissões de carbono associadas ao consumo de energia nos edifícios e sistemas urbanos.
A sessão integrou a iniciativa “Arrábida Zero Emissões” e contou com a participação de municípios, associações, empresas e especialistas das áreas da energia e ambiente. A elaboração destes planos será obrigatória para municípios com mais de 45 mil habitantes, no âmbito da Diretiva Europeia de Eficiência Energética, atualmente em processo de transposição para a legislação portuguesa.
Na abertura do encontro, o vereador da Câmara Municipal de Palmela, José Paulo Barão Garcia, destacou a importância da cooperação entre entidades para reforçar a resiliência do território e acelerar o processo de descarbonização.
O setor do aquecimento e arrefecimento assume um papel central na transição energética. Atualmente, representa mais de metade do consumo energético e das emissões de gases com efeito de estufa na Europa, além de corresponder a mais de 60% da energia utilizada pelas famílias. Com o aumento das temperaturas, o arrefecimento torna-se uma necessidade crescente, levantando desafios ambientais, económicos e de saúde pública.
Durante a reunião foram apresentados os principais aspetos legais, metodológicos e operacionais dos PLSAA, desenvolvidos no âmbito do projeto europeu LIFE Plan4COLD, coordenado pela ADENE – Agência para a Energia. O projeto pretende apoiar os municípios do Sul da Europa na criação de estratégias locais alinhadas com os objetivos nacionais e europeus de neutralidade climática.
A metodologia adotada prevê cinco fases de trabalho e aposta num processo colaborativo entre os municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal e os diversos agentes locais. As áreas prioritárias incluem o planeamento urbano, a reabilitação de edifícios, a atividade industrial e a promoção de comportamentos mais sustentáveis. O calendário de trabalho estende-se até meados de 2027, período durante o qual serão definidas e validadas as medidas a integrar nos planos finais.
Além dos trabalhos relacionados com os PLSAA, foram também apresentados indicadores energéticos e matrizes de emissões de dióxido de carbono dos três municípios, dados que servirão de base para acompanhar a evolução do processo de descarbonização da região.
A iniciativa Arrábida Zero Emissões continua a reforçar o compromisso coletivo com a sustentabilidade. O memorando de entendimento que sustenta o projeto conta já com a adesão de 36 organizações e 12 cidadãos, tendo recentemente integrado a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal como novo signatário institucional.
Através da plataforma digital Arrábida Zero Emissões, entidades e cidadãos podem partilhar ações de mitigação das emissões e acompanhar o progresso do território rumo à neutralidade carbónica.






