Setúbal

AISET acende o rastilho: estudo da Católica vai mudar o futuro industrial de Setúbal

Novo estudo estratégico promete impulsionar setor industrial.

A Associação da Indústria da Península de Setúbal reuniu associados, autarcas e líderes empresariais numa Assembleia Geral que foi muito mais do que uma sessão de contas, foi o arranque de uma nova ambição para a região considerada a mais pobre do país.

A sala estava cheia, os discursos foram longos e o entusiasmo, esse, não faltou. A AISET — Associação da Indústria da Península de Setúbal, reuniu na passada terça-feira a sua Assembleia Geral anual, numa sessão que rapidamente ultrapassou a ordem do dia habitual e transformou-se numa declaração de intenções sobre o futuro económico de toda a região.

O momento mais aguardado foi a apresentação de um estudo estratégico encomendado à Universidade Católica Portuguesa, elaborado pelos professores João Confraria e Rute Xavier. O documento, ainda em fase de conclusão, o diretor-geral da AISET, Nuno Maia, será apresentado publicamente em breve e promete ser uma ferramenta decisiva para orientar políticas industriais, atrair investimento e posicionar a Península de Setúbal no mapa da competitividade nacional e europeia.

A região que ocupa o último lugar do ‘ranking’ do PIB per capita entre todas as regiões do país precisa urgentemente de uma estratégia. Essa foi a mensagem central da noite, repetida por vários intervenientes e reforçada com dados que não deixam margem para dúvidas: a Península de Setúbal registou em 2023 o valor mais baixo de produto interno bruto per capita a nível nacional, segundo dados do INE.

O presidente da CIM na mesa da indústria

O jantar que se seguiu à assembleia teve como figura central Frederico Rosa, presidente da recém-instalada Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal e presidente da Câmara do Barreiro. A sua presença não foi protocolar, foi simbólica. Pela primeira vez, a nova CIM estava sentada à mesa da indústria, numa altura em que a entidade intermunicipal acabou de completar a sua instalação com a eleição e tomada de posse do Conselho Estratégico Intermunicipal.

Frederico Rosa não poupou nas palavras. Apelou ao que chamou de “espírito de missão e de região” e foi direto: “Este é o momento de pormos as mãos na massa e fazermos acontecer.” Acrescentou ainda que “há alinhamento e vontade” entre todos os envolvidos, uma mensagem recebida com evidente entusiasmo pelos cerca de 70 presentes, entre associados, empresários e representantes autárquicos.

Uma região rica em indústria, pobre em reconhecimento

A AISET representa algumas das maiores empresas da região: The Navigator Company, Secil, Lisnave, Lauak, Sapec Bay, Megasa, Siemens ou Lusosider, mas também dezenas de pequenas e médias empresas como a Casa Ermelinda Freitas, a Edugep, a Etermar ou a Deiba. Juntas, formam um tecido produtivo com peso real na economia nacional, apesar do paradoxo que a Península carrega: é industrialmente forte, mas estatisticamente pobre.

A razão histórica para esse fosso tem nome: a inclusão da Península de Setúbal na Área Metropolitana de Lisboa fez a região perder identidade própria e, sobretudo, perdeu fundos comunitários, por arrastar o PIB per capita elevado da margem norte do Tejo. Hoje, com a separação da NUTS e com a CIM finalmente operacional, a janela de oportunidade está aberta, e a AISET quer ser a primeira a passar por ela.

O estudo estratégico da Universidade Católica é precisamente esse instrumento: um mapa de estrada para a indústria local poder integrar o próximo Quadro Comunitário de Apoio da União Europeia, que entrará em vigor em 2028. Quem não estiver preparado com uma estratégia clara, ficará de fora dos apoios. E a AISET sabe isso.

“Há alinhamento. Agora é fazer acontecer”

O encontro encerrou com um apelo claro à colaboração entre empresas, autarquias e instituições de ensino. A presença dos secretários da nova CIM, Álvaro Amaro e António Caracol, reforçou a mensagem de que o alinhamento entre o poder industrial e o poder político é hoje maior do que em qualquer momento recente da história da região.

Os resultados do estudo estratégico deverão ser divulgados publicamente nos próximos meses. A partir daí, o trabalho de transformar intenções em investimento, empregos qualificados e exportações começa de verdade.

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