Política

AD lança candidatura em Palmela com promessa de mudança após 50 anos de domínio comunista

Roberto Cortegano é o rosto da coligação PSD/CDS-PP para as autárquicas em Palmela. A candidatura promete romper com décadas de estagnação e colocar o concelho no rumo do desenvolvimento.

Num evento carregado de emoção, discursos fortes e promessas de mudança, a Aliança Democrática (AD), coligação entre o PSD e o CDS-PP, apresentou oficialmente a sua candidatura à Câmara Municipal de Palmela. O candidato é Roberto Cortegano, ex-vereador e profundo conhecedor do território, e a mandatária é Maria Ataz, figura respeitada na comunidade local, que prestou homenagem ao marido falecido e associou-se ao projeto “por dever de memória, mas sobretudo por convicção”.

O discurso de Cortegano marcou o tom de uma candidatura combativa. Em plena apresentação, acusou a CDU de ter virado as costas à população durante os últimos 50 anos, e o PS de “ter servido apenas para sustentar esse poder”. Defendeu uma viragem total na forma de fazer política no concelho e assumiu a candidatura como “um projeto de mobilização e verdade”.

Entre as prioridades apontadas pelo candidato estão a reabilitação urbana, a limpeza e recolha de lixo, a mobilidade, a habitação e o ordenamento do território, com particular destaque para a revisão do PDM, que classificou como “um plano que limita, em vez de projetar o futuro”.

A cerimónia contou com presenças de peso da política nacional, como o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que reforçou o apoio do Governo à candidatura, lembrando os investimentos que chegam ao distrito de Setúbal. Referiu projetos como o novo aeroporto de Lisboa, a ligação rodoviária Alcochete-Trafaria, a expansão ferroviária no sul do Tejo, e obras no Porto de Setúbal, que, segundo Pinto Luz, “vão transformar Palmela numa nova centralidade nacional”.

O ministro classificou Roberto Cortegano como “um ativo político que não deve ser desperdiçado” e sublinhou que esta é uma oportunidade “única” para o concelho beneficiar da ligação entre autarquia e Governo central.

Carlos Vitorino, candidato à presidência da Assembleia Municipal, comprometeu-se a dinamizar o órgão deliberativo, através da ativação das comissões, descentralização de sessões e fiscalização ativa do executivo. “Vamos dar voz às freguesias e garantir que Palmela tem uma Assembleia Municipal transparente e interventiva”, prometeu.

Na apresentação da candidatura intervieram também Ana Clara Birrento, vice-presidente do CDS, o deputado João Almeida, Pedro Roque, Bruno Vitorino, Vasco Pinto, e diversos dirigentes distritais, que deixaram elogios ao percurso de Cortegano e à preparação da coligação para enfrentar as autárquicas de 2025.

Roberto Cortegano denunciou ainda o “clientelismo” e a “má gestão crónica” da atual maioria comunista, criticando as prioridades orçamentais, que, segundo afirmou, servem para controlar o associativismo local e promover eventos “de utilidade duvidosa”. Apontou casos como a estação ferroviária de Palmela, que está ao abandono, e o processo de licenciamento urbanístico, que classificou como “caótico e asfixiante”.

Destacou ainda o caso do empreendimento de luxo abandonado há 25 anos em Aires, cujos moradores ainda hoje vivem sem licenças legais e em total precariedade. “O candidato da CDU é o mesmo que participou nesse desastre urbanístico. Querem mesmo voltar ao passado?”, questionou.

Na habitação, o cabeça-de-lista compromete-se com a redução da burocracia, a revisão dos processos urbanísticos e o investimento em zonas habitacionais sustentáveis, acessíveis e com serviços. “Palmela não pode continuar a perder população jovem por falta de resposta da autarquia”, frisou.

Também na educação, Cortegano criticou duramente a autarquia, referindo a recente falta de assistentes operacionais nas escolas do concelho, que motivou reportagens televisivas nacionais. “É um problema antigo, alertado por nós há anos. Nada foi feito”, sublinhou.

No final da apresentação, Roberto Cortegano deixou um apelo à união dos independentes e dos descontentes. “Esta candidatura é para todos os que se sentem afastados da política, mas querem acreditar novamente. É hora de unir Palmela para um futuro melhor. Podemos ganhar. Vamos ganhar”, afirmou perante uma sala cheia, ovacionado pelos presentes.

A candidatura da AD em Palmela surge num contexto político de viragem, após o bom resultado da coligação nas legislativas de março e o crescente desgaste da gestão comunista no concelho. A coligação aposta numa campanha enraizada no território, com foco nos problemas concretos da população, e promete “virar a página” com transparência, competência e visão estratégica.

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